sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Luz que não se apaga nunca




LUZ DEL FUEGO




Luz del Fuegonome artístico de Dora Vivacqua (Cachoeiro de Itapemirim,21 de fevereiro de 1917 — Rio de Janeiro19 de julho de 1967), foi uma bailarinanaturista e feminista brasileira. Dora foi a décima quinta filha de Etelvina e Antonio Vivacqua, de famílias oriundas da imigração italiana no Espírito Santo. Foi irmã do senador Attilio Vivacqua. Luz del Fuego teve sua vida levada para o cinema, em 1982, em um filme estrelado por Lucélia Santos e dirigido por David Neves.


Dança



Em 1944 inicia suas apresentações como bailarina, usando o nome artístico "Luz Divina", no picadeiro do circo "Pavilhão Azul". Posteriormente por sugestão do amigo e palhaço Cascudo, mudaria o nome para Luz del Fuego, nome de um batom argentino recém-lançado no mercado. Ele acreditava que o nome em espanhol atrairia o público.
Depois de um tempo estudando na Europa, Luz del Fuego volta ao Brasil em 1950 e começa a revolucionar os costumes do povo brasileiro.

Naturismo



Ela traz da Europa algo que de imediato associou com a história dos primeiros brasileiros (os índios). Luz del Fuego apresentava-se seminua com uma ou às vezes duas cobras jiboias enroladas em seu corpo e ficou muito famosa em sua época. Adepta da alimentação vegetariana e do nudismo, não fumava, nem ingeria bebidas alcoólicas e, através de uma concessão da Marinha, obteve licença para viver na ilha Tapuama de Dentro, que foi por ela rebatizada como "Ilha do Sol" e onde fundou o primeiro clube naturista do Brasil, o "Clube Naturalista Brasileiro".
Luz del Fuego, devido a sua coragem para enfrentar o preconceito de sua época com relação ao nudismo, e pelo pioneirismo na criação do primeiro clube naturista do Brasil, tem hoje sua data de nascimento, 21 de fevereiro, lembrada e comemorada entre os naturistas brasileiros, como "Dia do Naturismo".
Sua famosa frase que retrata bem o seu pensamento: "Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano. Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder".
Na primeira metade dos anos 1950 ela fundou o Partido Naturalista Brasileiro e se candidatou a Deputada Federal por ele.
Importante observar que atualmente, o termo naturalismo é apropriado para quem é especialista em história natural, ficando o termo naturismo associado para as pessoas que praticam o chamado "nudismo social".


Ilha do Sol





Ainda em 1954 Dora Vivacqua criou o que viria a ser a primeira área de naturismo no Brasil. O Clube Naturista Brasileiro que funcionava na ilha de Tapuama de Dentro que fica na Baía de Guanabara no Rio de Janeiro. A esta ilha de 8 mil metros quadrados deu o nome de Ilha do Sol.
Várias personalidades de Hollywood estiveram na Ilha do Sol, dentre elas: Errol FlynnLana TurnerAva GardnerTyrone PowerCesar RomeroGlenn FordBrigitte Bardot e Steve MacQueen. Porém mesmo estrelas do porte de Jayne Mansfield foram barradas no pier por não quererem ficar nuas.
A nudez era obrigatória e total na Ilha do Sol. Ninguém, nem mesmo autoridades e personalidades podiam entrar na ilha sem deixar toda e qualquer peça de roupas ainda no pier.
Em 1955, a Federação Internacional de Naturismo (INF-FNI), reconheceu oficialmente o surgimento do movimento naturista no Brasil adicionando a Ilha do Sol e o Clube Naturista Brasileiro como um de seus afiliados.
Durante a década de 1960, Luz del Fuego e seus amigos naturistas começaram a frequentar também, uma praia deserta que hoje se chama Abricó. A Praia do Abricó era uma segunda opção para quem gostava do naturismo, e até a hoje é utilizada pelos naturistas.


Morte



Em 1967, Luz del Fuego e seu caseiro foram assassinados, seus corpos foram amarrados em pedras e depois lançados para o fundo do mar. Após a sua morte, a Ilha do Sol voltou a ficar desabitada. A construção resiste ao tempo, com as paredes e a laje em perfeitas condições, onde inclusive, ainda se podem ver desenhadas na laje as duas cobras que ajudaram a eternizar a imagem da dançarina.
De acordo com o depoimento de Alfredo Teixeira Dias, revelou-se que no dia 19, por volta das 18 horas, partiu com o irmão para a Ilha do Sol, onde não puderam desembarcar porque os cães da ex-vedete logo notaram a presença de estranhos. Conseguiram entretanto, com todo cuidado, cortar a corda que amarrava uma canoa de Luz del Fuego. Levaram-na até a Ilha das Capuanas, já planejando atrair a ex-vedete para uma armadilha.
Mozart Gaguinho gritou então, chamando Luz del Fuego, que logo apareceu, de calça, à beira do cais, com um revólver calibre 38 na mão e perguntando o que "havia". Gaguinho respondeu que a sua canoa se afastara.
Disse Alfredo que Luz del Fuego não relutou em embarcar na canoa dos dois, a fim de recuperar a dela. Pouco depois, Mozart Gaguinho pediu que Luz del Fuego lhe entregasse a arma. Nesse momento, Alfredo deu uma pancada em sua cabeça, com um cacetete. Em seguida, mais dois golpes fatais.
Deixaram o corpo na Ilha das Capuanas de Baixo e voltaram à Ilha do Sol, onde chamaram o vigia Edgar. Pediram que ele trouxesse uma corda e um remo, a fim de que a canoa de sua patroa fosse rebocada. Edgard, segundo disse Alfredo, não veio com os objetos solicitados, mas com uma foice. Hesitou um pouco, mas decidiu entrar no barco de Alfredo e Gaguinho, sentando-se entre os dois.
Os dois cadáveres, colocados em uma baleeira com algumas manilhas e duas enormes pedras, depois de retiradas as vísceras, à faca, foram ao fundo a 200 metros da Ilha do Sol para onde, em seguida, Alfredo e seu irmão se dirigiram, assaltando a casa da vítima. Levaram para a Ilha do Pontal tudo que haviam encontrado de valor - uma radiovitrola, dois rádios de pilha portáteis, uma máquina de costura e NCr$ 80,00 (oitenta mil cruzeiros antigos), encontrados numa bolsa, sob um travesseiro. Apanharam ainda um lampeão a  gás, várias tarrafas de nylon, um binóculo e os óculos de Luz del Fuego.
Alfredo ainda afirmou que, na madrugada do dia 21, Mozart Gaguinho o levou da Ilha do Pontal para a Ilha do Governador.
Disse que há cerca de sete meses, Luz del Fuego indicou à Polícia o lugar onde ele, foragido do Presídio-Geral do Estado, estava escondido. Entretanto, Alfredo conseguiu "enganar as autoridades". Quanto ao irmão, Luz del Fuego entregou-o certa vez à Polícia Marítima, que só não o prendeu devido a uma interferência do guarda portuário Hélio Luís.

Legado



Seu legado permanece até hoje, e o naturismo brasileiro tem grande orgulho de ter Luz del Fuego como uma de suas personagens históricas.
Também o movimento feminista brasileiro deve muito a esta mulher de garra que na década de 1950 já lutava pela liberdade feminina, sendo muito conhecida uma frase que repetia, a de que "daqui a 50 anos serei lembrada".





















































VÍDEO RARO DE 1949
LUZ DEL FUEGO DANÇANDO COM UMA DE SUAS JIBOIAS






          CLIP DE "LUZ DEL FUEGO" MÚSICA DE RITA LEE





Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Dez invenções feitas por mulheres



KEVLAR




Stephanie Kwolek inventou um resistente material sintético, patenteado em 1966, que é cinco vezes mais forte do que o mesmo peso de aço: o Kevlar. Ele é usado principalmente na fabricação de coletes à prova de balas e também em pneus, pastilhas de freio, cabos de pontes suspensas, capacetes, equipamentos de camping entre outros.


LIMPADOR DE PARA-BRISAS




Em um dia chuvoso, durante uma viagem em Nova York, Mary Anderson percebeu que os motoristas eram obrigados a descer do carro diversas vezes para limpar a neve. Foi então que em 1903 Anderson teve a ideia de criar um dispositivo capaz de retirar a chuva e a neve do para-brisas.


LIQUID PAPER



Bette Nesmith Graham trabalhava em uma empresa como secretária, frequentemente ela cometia erros na máquina de escrever. Por conta disso, tentou por diversas vezes elaborar uma substância branca que secasse rapidamente no papel para corrigir os textos. Em 1967 ela conseguiu chegar à fórmula perfeita,  criou assim nosso popular "corretivo" e ficou milionária.

ORELHÃO



Criadora do projeto mobiliário urbano mais conhecido do Brasil, o orelhão, a arquiteta Chu Ming Silveira nasceu em Shangai, mas foi naturalizada brasileira. O primeiro orelhão surgiu em São Paulo em 1970. Depois de dois anos os orelhões foram instalados nas vias públicas de São Paulo e no Rio de Janeiro.





LAVA-LOUÇAS




Josephine Cochran era uma 
socialite que adorava oferecer jantares glamorosos e que não estava nada satisfeita em ter sua riquíssima louça, muitas das vezes, quebrada pelos funcionários. Isso a levou a inventar a primeira máquina de lavar louças em 1886.


SERRA CIRCULAR




Tabitha Babbitt trabalhava com tecelões e durante o serviço observou que para cortar a madeira era preciso dois homens, um para puxar a serra para frente e o outro para puxar para trás. A fim de poupar esforços de seus amigos de trabalho ela decidiu criar a serra circular em 1813.


SACOS DE PAPEL COM FUNDO QUADRADO




A princípio o saco de papel não era tão eficiente para carregar coisas, o fundo era bem semelhante ao de envelopes. Até que em 1871 Margaret Knight inventou uma nova forma de dobrar o fundo do saco, deixando ele quadrado. A nova base possibilitou distribuir melhor o peso e assim carregar mais coisas.


FRALDAS DESCARTÁVEIS




Marion Donovan, uma mãe inconformada com a trabalheira das fraldas de tecido, decidiu criar uma cobertura plástica para que os bebês não ficassem frequentemente molhados. A ideia foi sendo aperfeiçoada até ser patenteada em 1951.




SUTIÃ


Mary Phelp Jacob tinha comprado um vestido para ir a uma festa à noite, na época a única roupa de baixo era um espartilho rígido. Ao ver que a peça ficava sobrando no vestido ela elaborou o primeiro sutiã, usando dois lenços de seda e uma fita. O primeiro sutiã moderno foi patenteado em 1913.




HIDRÔMETRO




Por volta de 400AD um dos nomes mais respeitados da matemática, astronomia e filosofia, Hypatia de Alexandria, inventou o hidrômetro, instrumento que mede o volume de água e é usado até hoje.

FONTE: R7

Inéditos e dispersos


Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e



dos restos do dia, tira da tua boca


o punhal e o trânsito, sombras de


teus gritos, e roupas, choros, cordas e


também as faces que assomam sobre a


tua sonora forma de dar, e os outros corpos


que se deitam e se pisam, e as moscas


que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor


(não ouças)


que se prepara para carpir tua vigília, e os


cantos que


esqueceram teus braços e tantos movimentos


que perdem teus silêncios, o os ventos altos


que não dormem, que te olham da janela


e em tua porta penetram como loucos

pois nada te abandona nem tu ao sono.



ANA CRISTINA CÉSAR








quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cândido Portinari








Cândido Portinari (1903-1962) foi um pintor brasileiro. Autor de quase cinco mil obras, entre elas os painéis "Guerra e Paz" da sede da ONU em Nova York e o mural da Biblioteca do Congresso em Washington. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde começou a se destacar. Passou dois anos em Paris que foram decisivos para criar o seu estilo. As exposições coletivas no Museu de Arte Moderna de Nova York, na década de quarenta, ao lado de artistas já consagrados, abrem o caminho para individuais em Nova York.


Cândido Portinari nasceu em Brodowski, no interior de São Paulo, no dia 29 de dezembro de 1903. Filho dos imigrantes italianos Batista Portinari e Domênica Torquato. Aos seis anos já começa a desenhar. Não concluiu o curso primário. Aos 14 anos participa da restauração da Igreja de Brodowski. Aos 15 anos vai para o Rio de Janeiro estudar no Liceu de Artes e Ofícios e ingressa na Escola Nacional de Belas Artes onde estuda desenho e pintura. Logo se destaca e aos vinte anos expõe pela primeira vez no salão da Escola de Belas Artes.
Em 1923 ganha três prêmios com o retrato do escultor Paulo Mazzucchelli no Salão da Escola de Belas Artes. Em 1924 participa do salão com o quadro Baile na Roça. Em 1928 participa com o retrato do poeta Olegário Mariano, onde ganha como prêmio uma viagem para Europa. Em 1929 antes de viajar faz uma individual com 25 retratos.


Cândido Portinari viaja para Itália, Inglaterra, Espanha e Paris. Visita museus, faz estudos e quase não pinta. Passou dois anos em Paris e descobre a pintura moderna da Escola parisiense. Em 1930 conhece Maria Martinelli uma uruguaia de 19 anos, radicada em Paris e logo se casam. Em 1931 volta ao Rio de Janeiro.
Teve o seu quadro “O Café” premiado na mostra internacional, promovida pelo Instituto Carnegie de Nova York em 1935. A partir de então, sua obra passou a ser conhecida internacionalmente. Pintou os painéis Guerra e Paz da sede da ONU em Nova York e o mural da Biblioteca do Congresso de Washington. Suas pinturas que mais se destacaram: “São Francisco de Assis”, “A Primeira Missa no Brasil”, “Tiradentes” e a “Chegada de D. Jogo VI ao Brasil”. Entre os retratos que pintou, os mais famosos são: o da mãe do pintor, o de Mário de Andrade, o de Olegário Mariano. Ilustrou também Graham Greene e André Maurois, para as edições de luxo da Livraria Gallinard.


Portinari gozava de merecido renome internacional, recebendo convites para exposições e encomendas de trabalhos de todo mundo. Morre em 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação das tintas que utilizava.




OBRAS


OS RETIRANTES



PAINEL "GUERRA E PAZ"



CAFÉ




O LAVRADOR DE CAFÉ




            Mural da Biblioteca do Congresso em Washington





MESTIÇO





FAVELAS





O SAPATEIRO DE BRODOWSKI






Fonte : E-Biografias





"Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, 

e por isso sentir é compreender, visto que 

o Universo não tem ideias."





FERNANDO PESSOA





terça-feira, 3 de novembro de 2015

Psicologia de um vencido



Eu, filho do carbono e do amoníaco,
monstro de escuridão e rutilância,
sofro, desde a epigênese da infância,
a influência má dos signos do zodíaco.


Produndissimamente hipocondríaco, 

este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
que se escapa da boca de um cardíaco.



Já o verme — este operário das ruínas —

que o sangue podre das carnificinas 
come, e à vida em geral declara guerra,



anda a espreitar meus olhos para roê-los, 

e há-de deixar-me apenas os cabelos, 
na frialdade inorgânica da terra!



AUGUSTO DOS ANJOS