sábado, 5 de dezembro de 2015

HOMEM GASTA R$2,7 MILHÕES COM MÉDIUNS PARA FAZER SUA EX REENCARNAR


Na tentativa de fazer com quem uma ex-namorada reencarnasse e voltasse para ele, Niall Rice, de 33 anos, gastou o equivalente — em dinheiro vivo — a R$ 2,7 milhões. A grana foi toda para a mão de dois médiuns que garantiram ao apaixonado que o dinheiro seria bem investido.



Tudo começou, é claro, com a morte da namorada. Desesperado, ele recorreu às atividades paranormais para, no mínimo, ter contato novamente com a amada. Para isso, começou dando um anel avaliado em R$ 150 mil para uma médium.
Nesse primeiro trabalho, ele diz ter tido alguns “encontros” com sua ex. Em todos, no entanto, ele garante que não conseguiu fazer com que sua relação reatasse. Por conta disso, resolveu ir a outra pessoa que garantia os poderes paranormais e tentar mais uma vez — com uma diferença, no entanto.
Ao investigar mais as causas da morte da ex, Rice descobriu que ela morrera de overdose. Decidiu, então, que omitiria esse dado da nova médium. Para trabalhar, no entanto, Christina, nome da nova médium, pediu R$ 335 mil — a causa seria a “construção de uma ponte de outro até outra dimensão para encontrar a ex”.
Niall hesitou, mas acabou cedendo. Cedeu tanto que, em poucos meses, acabou se envolvendo sexualmente com a médium e só viu seus gastos aumentarem. Ao perceber que estava sendo enganado, ele rompeu relações com Christina e entrou na Justiça para reaver seu dinheiro. O advogado dela, no entanto, usa as relações sexuais para dizer que tudo gasto foi “presente”.

Após desistir de reencarnar sua ex-namorada e resolver problemas do passado, Niall mudou o foco e quer, agora, algo pelo menos mais mundano e plausível: “Tudo e somente o que eu quero agora é justiça”, diz ele.



 FONTE: YAHOO

VICIADOS ROUBAM SAPO ALUCINÓGENO





A polícia holandesa está investigando se um grupo de viciados em drogas invadiu uma loja de animais de estimação para roubar três sapos exóticos, cuja pele pode induzir alucinações quando lambida.
Os animais foram roubados de uma loja perto de um ponto de encontro de viciados em droga no centro da cidade de Leeuwarden, no nordeste da Holanda.
De acordo com um porta-voz da polícia, já foram registrados vários problemas com drogas perto da loja, por isto o grupo está sendo investigado. Os sapos roubados são de uma espécie exótica que apresenta uma secreção na pele, que quando lambida pode levar a alucinações comparáveis às do LSD.


Os sapos punho-fechados marrons são originários da América do Sul e usam a toxina exalada pelas glândulas de seu pescoço e costas para se defender de predadores. De acordo com o dono da loja, quem lamber o animal terá além de alguns momentos de alucinação uma paralisação temporária dos músculos.


FONTE: UOL NOTÍCIAS

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

CARTA AO INVENTOR DA RODA

  


O teu nome está inscrito na parte mais úmida de meus testículos suados; inventor, pretensioso jogral dum tempo de riqueza e providências ocultas, cuspo diariamente em tua enorme e curiosa mão aberta no ar de sempres ontens hojeficados pela hipocrisia das máculas vinculadas aos artelhos de alguns plantígrados sem denodo. Inventor, vê, a tua vaidade vem moendo meus ossos há oitocentos bilhões de sóis iguais-desiguais, queimando as duas unhas dos mínimos obscurecidos pela antipatia da proporção inelutável. Inventor da roda, louvado a cada instante, nos laboratórios de Harvard, nas ruas de toda cidade, no soar dos telefones, eu te amaldiçoo, e principalmente porque não creio em maldições. Vem cá, puto, comedor de aranhas e búzios homossexuais, olha como todos os tristíssimos grãos de meu cérebro estão amassados pelo teu gesto esquecido na sucessão parada, que até hoje tua mão desce sobre a madeira sem forma, no cerne da qual todas as mecânicas espreitavam a liberdade que viria de tua vaidade. Pois bem, tu inventaste o ressecamento precoce de minhas afinidades sexuais, de minhas probabilidades inorgânicas, de meus apetites pulverulentos; tu, sacana, cuja mão pariu toda a inquietação que hoje absorve o reino da impossibilidade visual, tu, vira-bosta, abana-cu, tu preparavas aquela manhã, diante de árvores e um sol sem aviso, todo este nefasto maquinismo sevicioso, que rói meu fêmur como uma broca que serra meu tórax num alarma nasal de oficinas de madeira. Eu estou soluçando neste edifício vastíssimo, estou frio e claro, estou fixo como o rosto de Praxíteles entre as emanações da ginástica corruptiva e emancipadora das obliterações documentárias. Eu estou, porque tu vieste, e talhaste duma coxa de tua mãe a roda que ainda roda e esmaga a tua própria cabeça multiplicada na inconformidade vulcânica das engomadeiras e dos divergentes políticos em noites de parricídio. Não te esquecerei jamais, perdigoto, quando me cuspiste o ânus obliterado, e aquele sabor de alho desceu vertiginosamente até as articulações motoras dos passos desfeitos definitivamente pela comiseração dos planetoides ubíquos. Agora estou aqui, eu, roda que talhaste, e que agora te talha e te retalha em todos os açougues de Gênova, e a tua grave ossada ficará à beira dum mar sujo e ignorado, lambido de dia ou de noite pelas ondulações dum mesmo tempo increscido; tua caveira acesa diante dos vendilhões será conduzida em pompa pelos morcegos de Saint-Germain-des-Prés. Os teus dentes, odioso berne deste planeta incorrigível, serão utilizados pelos hermafroditas sem amigos e pelas moças fogosíssimas que às duas da manhã, após toda a sorte de masturbação, enterram na vagina irritada e ingênua os teus queixais, caninos, incisivos, molares, todos, numa saudação à tua memória inexorável.


FERREIRA GULLAR






quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

DONATELLO



QUEM FOI?








Donato di Niccoló di Betto Bardi, mais conhecido apenas por Donatello, foi um importante escultor italiano do período do Renascimento Cultural. Nasceu em 1386, na cidade de Florença, e morreu em 1466 na mesma cidade.

Filho de um tecelão de lã chamado Nicolo di Betto Bardi, Donatello foi educado na casa da família Martelli. Seus primeiros conhecimentos artísticos vieram do treinamento que recebeu numa oficina de ourives. Trabalhou também, ainda na juventude, um curto período de tempo na oficina do artista Lorenzo Ghiberti.

Esteve em Roma no começo do século XV e estudou a arquitetura de vários edifícios romanos, além do Panteão. 
Em 1405, Donatello retornou para Floreça e deu início a uma série de trabalhos. Fez duas pequenas estátuas de profetas para a Catedral de Florença. Em 1408, trabalhou na elaboração do Duomo de Florença, participando com a escultura "Davi", feita em mármore.
No ano de 141, terminou um de suas grandes obras, a estátua de "São João Evangelista". Exposta no portal central do Duomo, esta obra destacou-se por sua composição clássica e humana, sendo que foi realizada com estudos anatômicos.

Em 1417, terminou a escultura de "São Jorge" que havia sido encomendada pela guilda dos artesãos que fabricavam armaduras.

Em 1423, realizou uma outra importante obra, a escultura de "São Ludovico em Tolosa". 
Entre os anos de 1415 e 1426 fez cinco esculturas para o Duomo: "O Profeta imberbe", "O Profeta barbudo", "O Sacrifício de Isaac", "Profeta Abacuc" e "O Profeta Jeremias".

Entre os anos de1425 e 1427 trabalhou junto com artista plástico Michelozzo na produção do Battistero, monumento fúnebre do Papa João XXII. Neste trabalho, Donatello esculpiu em bronze o corpo do papa morto.

No começo da década de 1430, fez importantes trabalhos na cidade de Roma. Esculpiu, para a Basílica de São Pedro, o "Tabernáculo do Sacramento" (obra que terminou em 1433).

Entre os anos de 1437 e 1443, trabalho na porta da Igreja de São Lourenço. Esculpiu “Apóstolos”, “Cosme e Damião”, “Mártires” e “Doutores da Igreja”.

Entre os anos de 1443 e 1450, elaborou mais uma grande obra. Foi para a cidade de Pádua esculpir uma estátua equestre, em mármore, de Erasmo de Narni, conhecido como Gattamelata. Donatello usou como inspiração desta obra a estátua equestre de Marco Aurélio em Roma.

Retornou para Florença em 1453 e esculpiu, em madeira, a obra “Madalena”. Esta escultura, já nos últimos anos de sua vida, marca uma nova fase artistica na vida de Donatello, pois privilegia a expressão do rosto e valoriza os sentimentos.



Em 1455, esculpiu a obra "Judite e Holofernes", encomendada por Piero de Médici. A obra é marcada por vários valores simbólicos sobre os sentimentos e comportamentos humanos.




OBRAS



ZUCCONE






Zuccone é uma estátua que foi criada por Donatello para a Catedral de 

Florença em 1423-1425. esta escultura é feita de mármore e zuccone é 

conhecido como Profeta Habacuc.

Enquanto Donatello estava criando a estátua, ele disse "falar, falar", 

como se ele se tivesse esperando a estátua para vir à vida.




SÃO MARCOS






Donatello criou a obra São Marcos em homenagem ao evangelista Marcos, que 

foi discípulo de Simão Pedro de 1411 a 1412.




O BANQUETE DE HERODES





O Banquete de Herodes é um baixo relevo em bronze.



DAVI









Davi é o nome de duas estátuas feitas por Donatello, retratando a história 

bíblica da vitória do rei davi sobre o gigante Golias.






GATTAMELATTA






Erasmo da Narni, mais conhecido como Gattamelata, foi um dos mais famosos 

condottieri, ou generais mercenários, do Renascimento italiano. serviu às 

cidades de Florença, veneza e ao papado. Foi imortalizado com uma estátua 

equestre criada por Donatello, instalada na cidade de Pádua, onde ele foi 

ditador em 1437 e onde faleceu.










A Madalena Arrependida é uma escultura em madeira de maria madalena. Provavelmente, a 

escultura foi encomendada para o Batistério de Florença. A obra foi recebida com espanto pelo 

seu realismo sem precedentes.






JUDITE  E  HOLOFERNES






Existem inúmeras referências morais, cristológicas e políticas na obra acima. Uma profunda interioridade é expressa na figura da heroína bíblica Judite. Em contraste com inúmeras pinturas sobre o tema, o foco não está sobre o horror físico de seu ato de matar Holoferne (general do exército da Assíria). O sacrifício que Judite fez para resgatar seu povo parece, ao contrário, consistir num conflito interno, resultado de ter que violar o mandamento bíblico de não matar. No momento de seu triunfo, ela também é uma heroína trágica.




FONTE - SUA PESQUISA.COM


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

SADISMO A TODA PROVA!






Ninguém jamais recebeu o convite ao lado. Os qua­tro meses passados no ermo castelo Silling, no qual 48 pessoas se enclausuraram para praticar as mais devassas orgias, existiram apenas na mente de Donatien-Alphonse-François de Sade. E fazem parte da obra mais famosa do francês conhecido como Marquês de Sade, Os 120 Dias de Sodoma.
Esses e outros livros, pornográficos e libertinos, tiveram papéis contraditórios na vida de seu autor. Por um lado, o transformaram, muitos anos após sua morte, em um gênio precursor de correntes filosóficas e autor de obras consideradas à frente de seu tempo. Mas, por outro, são responsáveis pela confusão que se faz entre sua vida e sua obra.


A VIDA


Não que Sade fosse santo. O homem que deu origem à palavra “sadismo” e passou um terço de sua vida preso teve, sim, suas experiências sexuais um tanto incomuns. E era um grande mulherengo. Mas não fez diferente de outros nobres de sua época. “Libertinagem é uma palavra típica do século 18 e ‘libertino’ é um tipo social da época”. “O libertino era um aristocrata que desafiava os valores dos homens e de Deus”.
Sade tampouco fez o que escreveu. Sua literatura deu abertura para uma série de mitos construídos sobre si. Como o de que, por exemplo, teria passado seus últimos dias encarcerado solitário, escrevendo com sangue e com as próprias fezes para substituir a pena que havia sido tirada dele. Na verdade, ele passou o fim da sua vida – tão obeso que os movimentos eram prejudicados – em um manicômio, mas ao lado da mulher e de uma amante, e escrevendo muito.
Sade era, antes de tudo, um nobre. Filho de um conde diplomata e militar, ele nasceu em junho de 1740 no palácio de La Coste, em Paris. Seguiu a carreira militar e, aos 16 anos, lutou na Guerra dos Sete Anos, na qual a França e a Áustria disputaram com a Inglaterra e a Prússia territórios e destinos comerciais. Quando voltou do conflito, foi obrigado pelo pai a casar-se com Renée-Pélagie de Montreuil. Filha de uma família de nobreza recente e com influência na corte, Renée tinha dois problemas, que se tornariam as perdições da vida de Sade: uma mãe muito poderosa e uma irmã mais jovem e mais bonita.
O primeiro escândalo na vida do marquês ocorreu cinco meses após o casamento. Em outubro de 1763, foi acusado pela prostituta Jeanne Testard de obrigá-la a renegar Deus e a realizar “atos de sacrilégio” com imagens cristãs enquanto mantinham relações sexuais. Acabou preso, mas, graças à influência da sogra, ficou na cadeia menos de um mês. A sogrona ainda o livrou da forca em 1772, quando Sade intoxicou uma prostituta – em uma festinha, ofereceu à infeliz um bombom com um licor afrodisíaco e ela quase morreu.
Sua esposa sabia de suas traições, mas, mesmo assim, manteve-se a seu lado por 27 anos, além de dar-lhe três filhos. Um deles, Donatien-Claude-Armande, queimou quase todos os manuscritos e correspondências do pai após sua morte. Se Renée fechava os olhos para as escapulidas do marido, o mesmo não fazia sua mãe. De protetora, a sogra passou a perseguidora quando Sade revelou que mantinha um caso com a cunhada, Anne-Prospère. O casal fugiu para a Itália. Ela conseguiu localizá-los e pediu ao rei da Sardenha em pessoa, Carlos Emanuel III, que expedisse uma ordem de prisão contra o marquês – embora sem acusação alguma. A sogra ainda se incumbiu das despesas de seu cárcere forçado na fortaleza de Miolans, em Savóia, entre a Itália e a França. Em abril de 1773, o marquês conseguiu fugir.
Em 1775, outra confusão. Uma orgia envolvendo empregados do castelo, Sade e a própria mulher, Renée, veio à tona. O processo foi aberto pelo pai de uma das criadas que participaram da festa – além de enfrentar o marquês nos tribunais, ele deu dois tiros em Sade, que se salvou graças à má pontaria do atirador.
Em janeiro de 1777, a sorte do nobre mudou. A sogra conseguiu que o rei emitisse uma carta de prisão, chamada lettre de cachet. Dessa vez, por 13 anos. E também sem um crime propriamente dito.



A OBRA


Até então, Sade era apenas um cara com uma vida amorosa apimentada. Na prisão, isso mudou. Lá – onde, ao todo, passou quase um terço da sua vida, lendo muito –, produziu toda sua obra. Em 1784, foi transferido para a Bastilha, onde escreveu contos e novelas (cerca de 50) e produziu seu primeiro romance, Os 120 Dias de Sodoma ou a Escola da Libertinagem, concluído em apenas 37 dias. Em 2 de julho de 1789, 12 dias antes da tomada da Bastilha, Sade foi transferido para o Sanatório de Charenton sem poder levar nada. Morreu sem saber que seus manuscritos foram achados por um guarda e publicados – mesmo que apenas em 1935.
Se existe uma coisa que o autor Sade não faz é poupar seus leitores. Inspirado nas “sociedades do amor” formadas pelos aristocratas de sua época para satisfazer desejos sexuais, o marquês escreveu a história de uma comitiva que realiza em um castelo as mais bizarras experiências sexuais. Grande parte da obra é dedicada à pedofilia e à descrição de práticas coprofílicas – com fezes humanas.
Em 1790, Sade foi anistiado pela Re­volução e deixou o manicômio. Foi quando Renée o abandonou. Dias depois, porém, o francês conheceu a mulher que seria sua companheira pelo resto de seus dias, Marie-Constance Renelle. E, com seus bens confiscados pela Revolução, envolveu-se na política: virou comissário para a administração de hospitais de um distrito de Paris. Três anos depois, voltou à prisão. A acusação agora era a de se recusar a punir e a condenar os réus: o marquês era malvisto pelos radicais revolucionários por sempre procurar o meio-termo e ser contra a pena de morte. Em liberdade, publicou A Filosofia na Alcova. No livro, conta a história de Eugénie, jovem que tem aulas de libertinagem em uma orgia entremeada por discussões filosóficas. Nele, faz uma irônica denúncia aos revolucionários. Acusado de “moderatismo”, escapou da guilhotina em julho de 1794.
Em março de 1801, com a França sob a batuta de Napoleão, Sade foi levado ao manicômio de novo – e nunca mais o dei­xou. Aos 74 anos, obeso, morreu em sua cela. Foi enterrado no cemitério de Charenton. Sua cova não tinha nenhuma inscrição, apenas uma cruz.


O LEGADO



Apesar de produzir uma obra extensa – da qual apenas um terço foi publicado –, Sade foi um escritor pouco lido em sua época. “Ele sabia que o que escrevia não seria vendido na esquina livremente. Sempre foi um autor clandestino”. Assim ele permaneceu durante todo o século 19. Em 1834, uma edição do Dicionário Universal inaugura o termo “sadismo”, com o significado de “aberração horrível do deboche; sistema monstruoso e anti-social que revolta a natureza”. O nome só se torna famoso, porém, quando usado pelo psiquiatra alemão Richard Freiherr von Krafft-Ebing, num catálogo de psicopatias sexuais, em 1886.
Os livros de Sade chegaram a ser jul­gados pelos tribunais franceses em 1950, sob a alegação de afronta à moral e aos bons costumes. Aos poucos, artistas como Salvador Dalí e André Masson começam a se inspirar nas imagens sadianas de crueldade para compor suas obras. Para a filósofa e escritora Simone de Beauvoir, a filosofia radical de liberdade de Sade precedia o existencialismo em mais de um século. Há quem o veja, ainda, como um precursor do estudo do foco da sexualidade que permeia toda a psicanálise de Sigmund Freud. Após mais de dois séculos de sua morte, o marquês recebeu dos surrealistas o apelido de “divino”, entrando para o hall de gênios da literatura e da filosofia.
“Ele coloca uma questão fundamental: como lidar com nossas paixões mais cruéis para encontrar um ponto de superação e de civilização”. Ainda hoje o pensamento do marquês é provocador.
“Amigo leitor, prepara teu coração e teu espírito para o relato mais impuro já feito desde que o mundo existe.”*
Você está convidado a mergulhar num mundo em que tudo é liberado. Incesto, homossexualismo, orgias e demais violações das normas da sociedade.
Local: Castelo Silling
Data: 30 de outubro de 1784
Durante 120 dias, 44 pessoas se entregarão aos mais secretos – ou nem tanto – deleites de quatro libertinos. Esqueça seus pudores, seus medos, seus questionamentos morais. Aqui não há lugar para eles.
* FRASE DE SADE NA INTRODUÇÃO DE SEU LIVRO OS 120 DIAS DE SODOMA





MITOS SÁDICOS



Uma série de histórias foi contada sobre o nobre francês - mas poucas são verdadeiras


Muitas histórias nebulosas surgiram em torno de Sade. Com uma vida amorosa repleta de traições e festinhas, várias prisões e uma literatura pornográfica, ele serviu freqüentemente de bode expiatório para muitos crimes praticados por libertinos ricos e impunes de sua época. O próprio marquês confirmou, em uma das cartas que escreveu da prisão, em 1781, à esposa: “Sou um libertino, eu confesso; eu concebi tudo o que se pode conceber nesse gênero, mas seguramente não fiz tudo o que concebi e certamente nunca farei. Sou um libertino, mas certamente não sou nenhum criminoso nem assassino”. Vários crimes foram atribuídos a Sade, mas nunca provados. Eis alguns deles:
• Enviar um exemplar de seu romance Juliette (que contava a vida de uma moça que participa de orgias em um convento e relata cerca de 50 mil crimes) a Napoleão, que teria ateado fogo ao livro.
• Ser encontrado em uma sala com um homem morto colocado em um imenso pote de vidro com álcool. Ele teria matado o sujeito e dissecado o corpo.
• Em 1834, a polícia teria arrombado sua casa e o encontrado deitado no chão, bêbado, junto a seu criado, ambos estendidos sobre poças de sangue e vinho.
• Ser preso em flagrante quando tentava queimar uma mulher viva e nua em sua casa.
• Ter provocado, por intermédio de seus livros cheios de violência e crueldade, assassinatos – como o cometido por um suposto leitor, que teria matado uma jovem que cuidava do marquês no sanatório.





 CARTAS DE UM HOMEM SENSÍVEL


Correspondências revelam um sujeito angustiado e irônico


Preso durante um terço de toda sua vida, Sade se comunicava com o mundo por meio de suas cartas. Seja para as amantes, para a sogra, para a esposa ou para o rei Luís XVI, ele nunca deixou de escrevê-las. Nelas, o marquês se mostra um homem sensível, às vezes apaixonado, às vezes ciumento. Em uma biografia recente, The Marquis de Sade – A Life (“O Marquês de Sade – Uma vida”, inédita em português), o americano Neil Schaeffer diz que “uma das melhores surpresas foi descobrir a riqueza, o humor e a humanidade genuína de suas cartas da prisão”. Muitas vezes seus relatos se mostram angustiados e revoltados, principalmente nas acusações à sogra. Em 1779, escreve a Renée: “Então sua execrável mãe não tem ao menos pena das minhas condições, e, embora esteja completamente consciente de tudo o que enfrento, ela o julga necessário, apenas para instigar sua raiva e a de seus conselheiros, apunhalando-me pelas costas novamente, doente como estou. Ah, besta detestável!” O marquês tem um humor refinado e, a seu secretário, escreve: “Na França não se fala impunemente a respeito de uma puta. Pode-se falar mal do governo, do rei, da religião: tudo isso não é nada. Mas uma puta, senhor Quiros, com os diabos! (...) Por causa dela intrepidamente encerram um cavalheiro na prisão durante 12 ou 15 anos”.



















































POR: GUIA DO ESTUDANTE.